22/04/12

Vidas secas

Li-o, enfim, melhor, comecei enfim a lê-lo. Uma escrita descarnada, calcificada, carregada de terra e de gente que com a terra se confunde e de animais, literatura de caminhante e de desolação, a seca a corroer tudo, maldita, gretando as almas, espinhosa, murchando tudo e enrugando os seres. 
É o pequeno e grandioso livro de Graciliano Ramos, Vidas Secas. Uma história de Nordeste em que se pressente, no horizonte da mansidão submissa, o urdir da raiva e com ela o Cangaço revoltoso.
Obra excelente em que a batalha da forma se irmana com a luta pelo conteúdo. Manifesto e Arte, ideologia e sentimentos. E sobretudo uma intrínseca humanidade.
Vou a meio porque dói. Na página 53.
 
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